Os ramos romperam e crepitaram na lareira, enviando uma nuvem de faíscas através da pedra. A caldeira borbulhou sinistramente, dentro dela seu conteúdo liquido grosso e marrom saía pela borda, como uma juventude que examina o abismo do pecado e tem a jovial idéia de saltar de cabeça para fora.
- Magda, olhe a caldeira!
Uma anciã enrugada saltou como se a tivessem cravado com um alfinete, empurrou o cabelo branco de seu rosto com uma mão rechonchuda e se apressou para o fogo.
- Doce Mary, penso que queimei outra vez! - gritou Magda.
- Pelos fogos de Inferno, eu realmente odeio quando usa os Santos epitáfios, disse uma segunda pessoa vindo e levando a colher à boca. Ela provou e logo amaldiçoou. Pelos dedos do pé de Lúcifer, devo fazer tudo eu mesma?
- Ah, Nemain, o que faremos? Exclamou Magda, retorcendo suas mãos.
- Não posso agüentar seu olhar por perder esta possibilidade quando o Destino trabalhou tão bem a nosso favor!.
Nemain se queixou quando ela tirou o pote do fogo.
- Berengária, prove este. Digo que a poção de amor é a pior que Magda queimou em sua longa vida.
Berengária não respondeu. Ela olhava fixamente ao longe, muito ocupada olhando para fora da janela e vendo o futuro desdobrar-se diante de seus olhos. Este era um presente que tinha, esta Visão. Tinha se divertido no passado ver o que o futuro traria, saber como os Reis morreriam e que terras perderiam. Também havia sido prático saber de antemão quando independentemente do castelo no qual ela vivia ia ser sitiado, lhe dando tempo para embalar seus pertences e procurar novos alojamentos antes que os invasores chegassem. Mas esta tarefa de agora era a mais importante: atrair dois desventurados e, francamente, duas almas bastante impossíveis de unirem-se. Sim, isto era digno de suas modestas artes .
Ela sentiu Magda ir nas pontas dos pés, ouviu a maldição de Nemain quando ela pisou, muito forte com as botas que usava, a outra bruxa, mas não deu atenção. O fracasso as havia levado um pouco mais longe. Se o senhor de Blackmour possuísse um pouco menos de honra, ele não teria feito caso de seu voto para proteger e defender uma mulher que mal conhecia. Possivelmente a honra não era uma virtude desnecessária depois de tudo.
Berengária deixou passar o presente ante seus olhos, olhando o cavalheiro escuro, perigoso que o Dragão de Blackmour tinha enviado como seu mensageiro. Ela esquadrinhou o guerreiro valente e ficou contente ao ver que ele não vacilaria em sua missão. Ele não poderia ou todos estariam perdidos. Não haveria outra possibilidade como esta.
- Magda, por meus chifres, é um aroma asqueroso queixou-se Nemain quando ela se retirou ao lado oposto da choça.
- Vamos começar outra vez. E vão com cuidado desta vez! Isto custou o resultado dos anos que levei para encontrar o osso de polegar de um mago e você o gastou quase todo. Não tenho nenhuma vontade em ir até a Escócia outra vez para procurar outro!
- Deixe de gritar, Magda reclamou . Faço isto só há uns anos.
- Atrevo-me a dizer que até o sacerdote mais humilde poderia dizer isso. Ele prefere pensar que é uma monja em vez de uma bruxa.
Berengária não fez caso da discussão renovada. Em troca, ela olhou uma garota que praticava com sua proibida espada no jardim de Warewick. O pai da moça não estaria contente com sua desobediência, mas com alguma sorte o mensageiro do Dragão estaria ali antes de Warewick poder repreendê-la por suas ações. Berengária deu uma cotovelada no cavalheiro, era como uma peça sobre um tabuleiro de xadrez, obrigando-o a impulsionar o seu cavalo a uma maior velocidade. Satisfeita que ele chegaria a tempo, ela desviou de novo sua atenção à mulher jovem.
- Somente uns momentos mais, minha menina, Berengária disse brandamente, e logo sua nova vida começará.



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